Família relata como o desprezo do Samu causou morte de bebê

A sensação de abandono e desprezo era evidente no semblante da família Do Carmo. Por volta de 0h30 de hoje (19), a vendedora Jardilaine Maria do Carmo, de apenas 19 anos, sofreu com a falta de compromisso dos funcionários do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) em Maceió.

A agonia de Jardilaine foi testemunhada por duas irmãs, Elaine Maria do Carmo, 23, e Janaina do Carmo Caetano, 28, além da própria avó, Olívia Maria do Carmo, de 80 anos de idade. A versão da família confirma tudo o que foi dito na primeira reportagem, feita com exclusividade pelo EMERGÊNCIA190.

Leia a transcrição do que foi dito por Elaine:

“Assim que a Jardilaine sentiu as primeiras dores, eu liguei pro Samu. Uma mulher atendeu e eu disse tudo que estava se passando, que minha irmã estava tendo menino, que tava sentindo muita dor e tal. Eu cheguei a dar o endereço, mas depois ela disse ‘espere aí que eu vou passar pro doutor’. Quando o médico atendeu ele foi logo dizendo ‘olhe, a gente não pode fazer nada, porque não tem carro’. Eu perguntei o nome dele, e ele desligou o telefone sem dizer quem era”, explicou Elaine.

A família afirma que permaneceu ligando para o Samu, mas que as ligações foram rejeitadas. As duas irmãs, Elaine e Janaina, saíram em busca de algum socorro na rua, mas só acharam uma viatura da Polícia Militar cerca de uma hora depois.

Além do desespero e ânsia para encontrar algum tipo de ajuda, as irmãs penaram andando pelos becos estreitos, que dão acesso ao quartinho onde Jardilaine mora.

PM destratado

“Quando o policial ligou pro Samu, o atendente mandou que ele procurasse um táxi. O policial chega ficou surpreso e começou a filmar e tirar fotos, dizendo que isso não ia ficar assim, que ia passar essas informações pra imprensa”, disse Elaine.

Jardilaine vende coentro no mercado da produção, tem um filho, o primogênito, de um ano e oito meses de idade. Hoje ela perdeu o segundo bebê num período de um ano. O primeiro feto era de uma menina que, segundo a família, foi morto por causas naturais. O bebê perdido na madrugada de hoje era um menino, e só morreu devido à falta de atendimento médico.

Bombeiros tornam-se Samu

Ao constatarem que o Samu não iria ao local, os policiais chamaram o Corpo de Bombeiros, que prontamente fizeram o papel dos médicos do Samu. Quando a viatura do CB chegou ao local, a criança já havia sido expelida do corpo da mãe. Ainda estava com vida, mas a ausência do atendimento causou a morte do recém nascido.

Restou aos bombeiros cortar o cordão umbilical da criança e salvar a mãe, que já tinha perdido muito sangue.

“Ele só morreu porque o Samu não veio. Se existe Samu é pra atender a todo mundo, a toda a população”, Janaina do Carmo Caetano, irmã.

“Ele [o médico] também tem que pensar que ele pode ter filhos e que em algum momento vão precisar de ajuda”, Olívia Maria do Carmo, avó.

“Se fosse alguém da família dele, com certeza, eles teriam mandado correndo alguém pra cá”, Elaine Maria do Carmo, irmã.

Jardilaine está internada na Maternidade Paulo Neto, no Centro de Maceió. A condução dela ficou por conta dos oficiais do Corpo de Bombeiros.

Nota a imprensa

Durante a tarde desta sexta-feira (19) a reportagem do EMERGÊNCIA190 tentou, por várias vezes, falar com o médico Carlos Adriano, diretor do Samu/Maceió, que não atendeu as ligações feitas para o aparelho celular do órgão. Ele foi encontrado pela reportagem na base do Samu-aéreo e disse que o assunto apenas seria tratado através da assessoria de imprensa que encaminhou para os órgãos de imprensa uma nota oficial.

Leia a nota abaixo

A Secretaria de Estado da Saúde, por meio do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), informa que quanto ao caso de “uma suposta negação de atendimento” a uma gestante, por parte de um profissional do SAMU na madrugada de hoje, que a SESAU, juntamente com o SAMU, vai apurar, rigorosamente, todos os fatos relacionados ao atendimento e, se for necessário, será aberto processo administrativo e ético.

Informa que o SAMU tem realizado um excelente serviço à população alagoana, inclusive tem serviço que está sendo modelo para o País, a exemplo do Aeromédico (UTI móvel). Tem também ampliando o número de Bases em todo o território alagoano, hoje com 30 Bases Descentralizadas, com a perspectiva de ampliar ainda mais até o final do ano, ou seja, com uma Base a cada 30 quilômetros, o que está contribuindo para salvar centenas de vidas, diariamente.

Além disso está diversificando os serviços, haja vista que no próximo dia 1º de setembro entrará em operação o serviço de Motolância, o que vai contribuir para melhorar, ainda mais o tempo-resposta no atendimento

Além disso o SAMU está descentralizando as Bases de Maceió, ou seja, implantou uma Base no bairro de Guaxuma e uma na Polícia Rodoviária Federal (PRF), com três ambulâncias uma Unidade de Suporte Avançado (UTI móvel), composta por uma médico, um enfermeiro, um técnico de enfermagem e um condutor socorrista, mais duas Unidade de Suporte Básico (USB), cada uma composta por dois técnicos de enfermagem e um condutor socorrista.

O objetivo desta descentralização é que os profissionais possam realizar o atendimento num tempo-resposta mais curto possível, como sugere o Ministério da Saúde, e com isso salvar mais alagoano.

SESAU SAMU

Da Redação ChicoSabeTudo
Fonte:Emergência 190

0 comentários:

Postar um comentário

Portal de Notícias - Paripiranga BA -. Tecnologia do Blogger.

  ©Portal de Noticias * Paripiranga - BA - Todos os direitos reservados.

Template by Dicas Blogger | Topo