MMA incentiva a violência?
Um fenômeno recente de popularidade no mundo dos esportes é o MMA, ou Mixed Martial Arts (Artes Marciais Mistas, em português), espécie de combate entre lutadores que se utilizam de técnicas de diversas artes marciais para vencer o oponente – geralmente, os atletas conhecem, no mínimo, três artes marciais.
Para lutar no octógono (o ringue do MMA), é preciso, portanto, possuir muito conhecimento técnico e preparo físico, características exigidas a qualquer bom atleta em outros esportes. Uma polêmica, porém, tem surgido em torno do MMA: o esporte incentiva a violência?
Esta crítica se deve às imagens “fortes” produzidas pelas lutas. Sangue, hematomas, golpes com os membros inferiores e superiores entre homens (sem quimono) transmitem uma carga emotiva muito grande ligada à violência, valendo a análise das conseqüências psicológicas dessas imagens. Através de uma breve incursão no que já se produziu de conhecimento sobre as influências de cenas de violência, sabemos que a naturalização destas imagens, e sua vasta divulgação na mídia, principalmente para adolescentes e crianças, gera, sim, mudança de comportamento (não necessariamente em níveis diretamente perceptíveis).
Trata-se do que o Tenente-Coronel Dave Grossman, do Exército norte americano, se refere em seu livro “Matar – Um estudo sobre o ato de matar”, quando comenta as influências de filmes e videogames que contém cenas de violência nas pessoas:
“Nossa sociedade descobriu poderosa receita para habilitar toda uma geração de norte-americanos a matar. Produtores, diretores e atores são todos generosamente recompensados por criar os filmes os mais violentos, repulsivos e aterrorizantes possíveis. Filmes em que as facadas, os tiros, os abusos e a tortura de inocentes homens, mulheres e crianças são mostrados nos menores detalhes. Torne esses filmes tão divertidos quanto violentos e, ao mesmo tempo, proporcione aos (normalmente) adolescentes espectadores as guloseimas, os refrigerantes e a intimidade do contato físico com o namorado ou a namorada. Pronto! Já é possível compreender como os adolescentes espectadores aprendem a associar as recompensas recebidas com as cenas que estão assistindo.”
O Coronel Grossman, que é historiador e psicólogo, se refere em seu livro às experiências de condicionamento, segundo as quais a repetição de um comportamento recompensado gera a manutenção e incentivo desta prática nos indivíduos. Sim, não há dúvida: as cenas do MMA são violentas, e geram o mesmo efeito que filmes ou videogames com cenas de sangue geram – mais um incentivo à agressividade em nossa sociedade tão alheia ao pacifismo. Isto torna o esporte menos sério? Não. Os atletas que participam das lutas merecem alguma represália? Muito menos. Há até quem sustente a tese de que o MMA gera menos lesões a seus atletas do que o futebol. Não duvido.
A exibição das lutas, porém, com suas cenas de agressividade, hematomas e sangue, não pode ocorrer sem sérias limitações. Mas vá explicar isto à nossa irresponsável mídia.
Da Redação ChicoSabeTudo
Fonte: Abordagempolicial
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